Medicina e tecnologia: um caminho para um futuro mais saudável

10 de junho de 2020 07m01s de leitura

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Medicina e tecnologia: um caminho para um futuro mais saudável

Rubem Ariano, fundador da Filóo, uma das referências no uso de novas tecnologias na aplicação da Medicina, comenta sobre algumas das possibilidades, tendências e também temores relacionados ao avanço nesse campo. Desmistificando conceitos e simplificando ideias que, à primeira vista podem parecer complexas, o executivo mostra que o futuro da saúde está mais perto - e mais fácil - do que muitos imaginam. E que isso poderá trazer um impacto extremamente positivo à sociedade como um todo.

A telemedicina, que vem sendo muito comentada atualmente por conta da pandemia, já acontecia antes. Mas, tudo indica que essa solução vai se popularizar agora. Você concorda com essa visão? Quais os principais pontos positivos e negativos da telemedicina?

Rubem Ariano (RA): Com certeza! Consultas por vídeo, de uma forma geral, vieram para ficar.

Claro que, em grande parte dos casos, a consulta presencial é indispensável. Mas, com o avanço da tecnologia, trazendo mais segurança no trânsito e armazenamento de informações, muitas delas podem ser feitas à distância.

O risco que se corre é de não saber em que situação a consulta por vídeo pode ser indicada e a pessoa deixar de passar em uma consulta presencial.

Por outro lado, nos casos possíveis, a consulta por vídeo gera muita economia de tempo, de deslocamento; aumenta a possibilidade de maximização da agenda do profissional de saúde e pode significar menos tempo de espera até a data da consulta para o paciente.

O uso de inteligência artificial na medicina é uma pauta importante. Usar robôs para analisar exames de imagem, por exemplo, é uma das possibilidades. Como você enxerga esse movimento? E qual sua visão sobre isso? As máquinas podem substituir a análise humana?

RA: Muito do que se consegue fazer hoje em dia com o uso da tecnologia era inimaginável há uns anos. Inteligência Artificial é uma das ferramentas onde se teve muito avanço e, não só nela, mas em muitas outras áreas da saúde, temos conhecimento só da pontinha do iceberg.

Certamente “máquinas” terão um papel cada vez mais importante com a melhora de tecnologias como Blockchain, 5G, IoT, etc. Mas a substituição completa da análise humana é algo remoto, em minha opinião.

Outra possibilidade dada pela tecnologia é a realização de cirurgias a distância. Qual o principal benefício que essa atividade pode trazer aos pacientes?

RA: O principal benefício é a possibilidade de se fazer uma intervenção em pessoas que tenham pouco ou nenhum acesso a um especialista. Isso tem um impacto social muito grande.

A evolução na transmissão de dados com o advento do 5G (e outros Gs), diminuiu muito a latência / tempo de resposta / delay dos vídeos. Isso é fundamental.

Como a facilidade de comunicação entre médicos utilizando meios digitais pode beneficiar os pacientes?

RA: De muitas maneiras. Entre as mais importantes estão a troca de conhecimento, a chance de se tirar uma dúvida com um colega que esteja distante e a possibilidade de se ter um prontuário / histórico de saúde compartilhado (sempre com a autorização do paciente, claro), o que pode gerar muita economia para o sistema como um todo.

Uma grande preocupação dos pacientes é com a privacidade de seus dados. O que está sendo pensado nesse sentido pelas Healthtechs?

RA: Toda parte de criptografia, incluindo, mas não limitado ao uso de blockchain, evoluiu muito e com isso os protocolos de segurança estão mais rigorosos. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que passa a valer em agosto de 2020 no Brasil, é um marco importante disso.

Não somente a aplicação da Medicina, mas também o seu estudo e desenvolvimento, estão sendo afetados pelas novas tecnologias. De que maneira isso acontece, efetivamente? Faz sentido pensar numa aprendizagem por realidade virtual, por exemplo?

RA: Acontece principalmente na transmissão eficiente de dados, EAD é um bom exemplo de beneficiário disso e na segurança no armazenamento dos dados.

Sim, faz sentido pensar em realidade virtual como parte do aprendizado, mas sempre ressaltando que a prática real ainda é insubstituível.

Como o uso de dados massivos pode auxiliar a medicina nos próximos anos?

RA: Na customização do compartilhamento de informação. Quanto mais informações se tem sobre um paciente, mais assertivas as comunicações para eles podem ser.

Grande parte das empresas de outros mercados chega com a proposta de universalizar o acesso aos mais diferentes produtos e serviços. Isso também pode ser esperado na Medicina?

RA:  Com certeza!  Na verdade, a universalização do acesso à medicina não só pode ser esperada, como é uma realidade por meio de soluções de baixo custo que servem de alternativa aos planos de saúde, que para a maioria (75% dos brasileiros) são impossíveis de se pagar, e também de alternativa ao sistema público de saúde, que muitas vezes não dá conta de atender a demanda da população.

Além disso, a promoção e prevenção na saúde por meio da comunicação e disseminação do conhecimento assertivo, ou seja, da forma e para as pessoas corretas, tem se provado a única solução viável para a sustentabilidade do sistema de saúde no mundo todo.